A independência da informação
  SEXTA, 18 de MAIO de 2012  
Caraguatatuba-Ilhabela-São Sebastião-Ubatuba  


17/05/12

Progresso inevitável


““Mais do que nunca, precisamos de governos municipais realmente comprometidos e interligados com esta expansão””


Selma Almeida

Audiências para discutir os contornos sul e norte, que seriam uma nova estrada de acesso da Tamoios para São Sebastião e Ubatuba; outra para tratar da influência do Pré-Sal, cuja exploração afetará também os municípios do Litoral Norte; garantias do Governo Estadual de que as melhorias de acesso já estão com data certa para começar (o que parece que agora sai mesmo) e a divulgação de que o Estado vai investir R$ 200 milhões no Porto de São Sebastião. Alguém duvida de que nossa região desta vez terá concretizado aquele boom prometido há anos pelo Estado?
Acredito que estamos caminhando com passos mais rápidos, mas receio que esta rapidez possa também prejudicar um desenvolvimento sustentável. Longe de mim, ser contra o progresso em nossa região, mas, mais do que nunca, precisamos de governos municipais realmente comprometidos e interligados com esta expansão.
E não é hora de ficarmos levantando bandeiras ecológicas, pois o que aparenta é que o Governo irá expandir o Litoral Norte, independente da vontade ambiental. Será praticamente impossível parar a exploração do Pré-Sal e consequentemente a ampliação dos portos públicos e privados de São Sebastião, mesmo com a turma do contra de Ilhabela. Então, diante desta situação sugiro a nós moradores destas pacatas cidades do Litoral Norte, que se empenhem e saibam escolher o próximo candidato a prefeito dos municípios, pois os quatro anos seguintes serão decisivos para este progresso na região.
Teremos que conviver com o progresso e o turismo, este último impossível de abandonar diante das belezas naturais encontradas por aqui. Sei que será difícil, já que temos exemplos que ambos os setores (industrial e turístico) não costumam ter uma relação boa, mas já que é inevitável, é melhor usar o empenho para agrupar o desenvolvimento sustentável.
E para isso, as participações populares nas audiências são imprescindíveis, até para que ninguém alegue ignorância quando as desapropriações (no caso dos contornos) acontecerem, além do aumento do movimento natural de carros e pessoas que estes empreendimentos naturalmente trarão.
Se, temos exemplos de cidades cuja expansão portuária prejudicou o turismo, também sabemos que há outras que conseguiram uma relação saudável, implantando o famoso desenvolvimento sustentável. Sem dúvida, esta é a maneira correta de se trabalhar e é só tirar o radicalismo da história e procurar o conjunto. Parece que os responsáveis querem ouvir a população. É por isso que as audiências existem, tendo inclusive sido a responsável por mudanças nos projetos iniciais já apresentados aos moradores. Mas elas precisam de posições claras, precisas e úteis e não na linha do “não vamos aceitar e pronto”.
Junto a participação popular nas reuniões, vamos se ater as eleições municipais que vem por aí e são importantes neste momento em que o progresso acena mais perto para nossa região. E, por favor, sem troca de voto por emprego ou cargo nas administrações municipais, já que com esta expansão inevitável na região, muito trabalho ainda há de vir para todos. É só a gente usar o bom senso nas discussões e voto.