“Se é deste jeito que o governo e empresários querem tratar da questão ambiental, pegaram um caminho errado”
Selma Almeida
Sei que o assunto das sacolas plásticas já está mais do que “batido”, mas a polêmica não termina enquanto durar a questão no supermercado. No começo a intenção dos empresários donos do supermercado parecia ser boa, ou seja, vieram de salvadores do planeta. Mas, com o tempo percebeu-se que estávamos (consumidores) era sendo enganados.
O que vimos com este “acordo” entre a Apas (Associação Paulista de Supermercados) e o Governo do Estado que encabeçou a campanha, é que tudo começou errado. Primeiro a mudança não havia partido de uma lei, mas uma iniciativa, intitulada “Vamos Salvar o Planeta”. Nada foi conclusivo, mas sugerido. Até que os grandes supermercados resolveram cobrar por um saco, que embora biodegradável, era idêntico ao outro que forneciam gratuitamente, ou seja, não necessariamente retornável, já que tratava de um saco frágil, cuja utilidade seria a mesma do saco plástico “nocivo”: embalagem para lixo.
Então este slogan “Vamos Salvar o Planeta” na verdade era “Vocês vão salvar o planeta e em troca nós não arcaremos mais com o saco plástico”. Mas o consumidor reclamou e não é que conseguiu reverter a situação? Um acordo de 60 dias entre a Apas, o Ministério Público e o Procon Estadual determinou que, nesse período, as lojas terão de oferecer alternativas gratuitas aos consumidores, até mesmo os antigos recipientes de plástico (o que ainda não está acontecendo em um grande supermercado de São Sebastião).
No acordo ainda dita que nos próximos seis meses, eles devem vender por R$ 0,59 as sacolas retornáveis pelas quais de início cobravam R$ 2,59. Sacolas de outros materiais e as caixas de papelão em que as mercadorias são transportadas das fábricas para o comércio continuam permitidas.
Agora olhando do lado de fora esta questão, percebemos que este sentimento ambientalista dos empresários estava “estranho”. Na verdade, eles deram uma utilidade para as caixas, entregando para que o consumidor desse um destino/final e, em contrapartida, deixou ao cliente arcar com o custo de “qualquer” coisa para levar a compra para casa. Se é deste jeito que o governo e empresários querem tratar da questão ambiental, pegaram um caminho errado. Já perderam a credibilidade do cliente, que já “sacou” qual é dos empresários.
E é uma pena, pois a ideia é boa e válida para o meio ambiente, mas até nesta questão, o capitalismo selvagem de empresas falou mais alto. Não sei como esta história vai acabar, quando terminar a vigência dos 60 dias, mas uma certeza nós consumidores já temos, qualquer que seja a nova determinação (gratuita ou paga), o gasto dos empresários estará naturalmente embutido no valor total da compra.
Talvez o que podemos tirar de positivo neste “acordo” inicial da Apas e do governo é que o consumidor está mais esperto e que não acreditou nesta história de “Vamos Salvar o Planeta”, com a empresa bancando de boazinha na causa do meio ambiente. Neste caso o “tiro saiu pela culatra” e é bom que continuemos sempre assim, atento em nossos direitos enquanto consumidores.